quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Para ser mais criativo - parte 2

O cérebro humano não é uma máquina; ele se cansa. Mesmo as pessoas mais criativas e constantemente estimuladas têm seu limite. Por isso, saiba que pressionar uma pessoa criativa só porque ela produz com frequência pode resultar em uma entrega de um péssimo trabalho. Por esse mesmo motivo, precisamos trabalhar com prazos específicos. Eu, por exemplo, não consigo traduzir mais de 20 páginas no dia, nem revisar mais de 35. Chega um momento em que sua energia física e mental se esgota.

Conheço muitas pessoas que parecem estar em constante atividade, conduzindo vários projetos ao mesmo tempo e que simplesmente não conseguem parar. Pode até ser que essas pessoas produzam muito - mas o resultado certamente tem uma qualidade baixa.

Portanto, para ser uma pessoa mais criativa, não basta apenas viver de estímulos. É preciso descansar periodicamente. E é extremamente positivo, em termos de economia de energia, manter-se em uma rotina - se você pesquisar sobre os hábitos de escritores consagrados, notará que a maioria deles mantinha uma rotina rigorosa. Ao manter hábitos certos, o cérebro entra em uma espécie de modo automático, que não requer tanta energia. Dessa forma, no momento de criar você irá tirar proveito justamente do que foi economizado pela manutenção de hábitos.

Outra coisa extremamente importante: durma, e durma bem. Durma 8 horas por dia. Enquanto você dorme, o cérebro é capaz de dispersar as toxinas acumuladas durante o dia, além de reforçar algumas partes da memória, no caso de algum material novo que você tenha lido ou estudado.

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Sugestão de leitura: Escola de Criatividade.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sobre a dificuldade de se conseguir silêncio


Tanto para estudarmos quanto para lermos ou escrevermos precisamos de silêncio. O grande problema é que estamos praticamente soterrados por barulho. Nosso cotidiano é barulhento, até mesmo nosso sono costuma ser barulhento!
Eu me pergunto se teríamos medo do silêncio, como temos medo da solidão.

O mês de janeiro ainda terminou e eu mal consigo contar quantas vezes fiquei irritada com todo o barulho feito aqui em casa e nos arredores - pela moça que trabalha aqui, pelos meus pais, pelos vizinhos... E tudo piora em épocas de férias - dos outros. Aliás, quem trabalha em casa deve estar acostumado com a percepção alheia de que, se você passa o dia inteiro dentro de casa na frente do computador, provavelmente é porque não está fazendo nada... Sendo que meu dia de trabalho começa às 10 da manhã e se encerra às 22 da noite. O principal motivo? Interrupções, porque acham que não estou fazendo nada. Das 12 horas diárias que passo tentando produzir (leia-se pesquisar, estudar, ler, escrever, revisar textos de outros, traduzir e dar atenção a quem precisa de orientação para escrever), 4 horas correspondem à média de interrupção; com sorte, passo 8 horas trabalhando.

De todos os requerimentos para se ter um dia produtivo, em que seja possível se concentrar unicamente no trabalho, eu falho em apenas um: encontrar um ambiente silencioso. Nem mesmo bibliotecas são silenciosas mais! E protetores auriculares apenas reduzem o barulho, mas não o cessam.

E quanto a você, leitor? Qual sua relação com o barulho e com o silêncio?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Para ser mais criativo - parte 1

Caderno de bolso de D. Pedro II
Se você acha que o seu problema é a falta de criatividade para encontrar temas sobre os quais escrever, há certas atitudes que você pode tomar a fim de melhorar esse "bloqueio". A primeira delas é criar o hábito de escrever todos os dias - sobre qualquer coisa! Tenha um caderno para rascunhos, no qual você se sinta livre para escrever, desenhar ou colar o que bem entender. Faça listas de palavras, descreva lugares onde você já esteve... Ao carregar o caderno sempre com você, recorrendo a ele toda vez que der na telha, fica mais fácil de registrar ideias e pensamentos. E quando você se sentir vazio, sem inspiração, é lá que você deverá procurar.

Não há escritor famoso que não tenha uma história sobre seu caderno de anotações para contar. Não precisa ser um Moleskine com capa de couro; um pequeno bloco pode servir muito bem. O único limite para você deve ser o tamanho das páginas. Não escreva no caderno pensando no que os outros vão pensar; ele deve ser construído apenas para você, como fonte de ideias que lhe permitirão refletir sobre seus pensamentos, fraquezas, e analisar como você pode seguir evoluindo.

Mesmo que seu objetivo não seja o de se tornar um escritor ou artista profissional, é possível que você se beneficie do hábito de manter um diário de notas como estratégia terapêutica - muitas vezes, uma forma de desabafar com um "amigo".

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Para se inspirar, dê uma olhada nos incríveis "rascunhos" dos cadernos de Guillermo del Toro (diretor de "O Labirinto do Fauno" e "Hellboy"): Blog Dr. Caligari.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Coesão textual

Uma vez que a coesão é a manifestação linguística da coerência, muitos se confundem em relação aos dois conceitos. Em suma, a coesão diz respeito aos mecanismos e elementos linguísticos que vão conferir uma lógica de sentido entre as partes do texto. Quando usamos adequadamente esses mecanismos, de forma coesa, obtemos, então, a coerência, que diz respeito ao sentido propriamente dito do texto. Ou seja, a coesão se encontra no âmbito estrutural e a coerência, no âmbito da significação.

Conectivos, por exemplo, são elementos coesivos (ou de coesão). O texto sem conectivos, feito apenas a partir de palavras soltas, não transmite sentido. O texto com conectivos inadequados corre o risco de passar uma ideia errada, diferente da pretendida pelo autor. Daí parte a sugestão de se compor um texto com frases curtas: para não se perder com os conectivos. Quanto maior a frase, mais conectivos ela requer, e mais chances de usar conectivos errados aparecem - significando maior probabilidade de a frase perder sua clareza.

Devemos sempre ser cuidadosos ao unir as orações, de forma a expressar objetivamente nossas ideias. Esse cuidado seria um dos primeiros fatores a caracterizar um bom escritor.
Às vezes escrevemos com pressa, ansiosos para colocar todos os nossos pensamentos no papel, e como resultado, literalmente atropelamos as conjunções que deveriam justamente expor aqueles pensamentos de maneira clara. É por isso que todos os professores chamam a atenção para a necessidade de reler tudo o que escrevemos - preferencialmente, mais de uma vez.

Assim que terminar um texto, leia-o uma primeira vez para se certificar de ter tratado de tudo o que pretendia tratar. Após confirmar que o conteúdo está completo, leia o texto novamente, prestando atenção à estrutura e ao sentido de cada oração. A segunda leitura, idealmente, deve ser feita com certo distanciamento - se você tiver tempo, deixe-a para o dia seguinte ou para dali a alguma horas; no caso de um concurso ou prova, saia para tomar uma água ou ir ao banheiro, respire fundo, e só então a faça. Ela lhe permitirá notar erros menores aos quais não damos muita atenção quando fazemos uma revisão apressada ou com a cabeça cheia.

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Sugestão: a página Atelier de Redação oferece uma seção de downloads (gratuitos), na qual você pode encontrar diversos exercícios, além de um "Estudo das conjunções" e um "Quadro de conectivos" bem elaborado.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Ótimos links sobre redação e literatura

Há diversos objetivos que envolvem a escrita. Seja para comunicar algo a alguém através de um e-mail, seja para apresentar seus serviços em redes sociais, ou mesmo para contar sobre sua vida em um blog: em certos momentos, o ato da escrita é inevitável. Por essa razão, deveríamos pensar que, ainda que ocasionalmente, todos nós somos escritores - isso pode ser até uma forma de a redação ser mais valorizada durante os anos escolares, bem como aulas de literatura e língua.

Volto a afirmar que não existem técnicas infalíveis para que a pessoa se torne uma boa escritora, mas há, sim, dicas bastante eficientes. Algumas podem até parecer óbvias, mas não adianta nada achar isso e não seguir! (Afinal, se é óbvio, por que você ainda não está fazendo?!)

Outra questão que pode ser levantada a partir dessa história de "dicas" ou "regras" ou "técnicas" é a de que atualmente a procura maior é por indivíduos inovadores, que sabem "pensar fora da caixa". Mas para "sair da caixa" é preciso que você conheça o que há dentro dela; para quebrar uma regra, é preciso, antes, conhecê-la bem; para se inovar ou desenvolver uma nova técnica, é necessário saber quais foram as técnicas aplicadas anteriormente. Resumindo com um clichêzinho: não vá mergulhar em alto-mar se você não consegue nadar em uma piscina!

E para se escrever bem, tenha um caderno para fazer anotações e praticar... Comece tomando nota por estes textos: (observem que gêneros diferentes comportam técnicas diferentes, por exemplo, um artigo de blog ou de jornal pode começar com uma pergunta como estratégia para chamar a atenção do leitor, mas se trata de uma péssima ideia em artigos acadêmicos ou dissertações mais formais)
  1. InfoEscola: 10 dicas para escrever melhor
  2. Guia do Estudante: Trinta dicas "infalíveis" para escrever bem (o que eu mais gosto nesse texto é que ele exemplifica as falhas a partir das próprias dicas)
  3. Viver de blog: Como escrever bem
  4. InfoEscola: Dicas para redação no Vestibular e Enem (que servem para todas as ocasiões, na verdade)
  5. BestReader: Como escrever melhor

O desespero de não se conseguir escrever bem

É curioso como grande parte dos alunos é capaz de formular uma frase concisa e inteligível oralmente, mas não consegue repetir o feito quando se trata de colocar ideias no papel. Quantas vezes não lemos comentários em redes sociais que não fazem sentido algum escritos por pessoas perfeitamente capazes de se comunicar por meio da linguagem oral?

Em artigo escrito pelo doutorando Pedro Perini-Santos, o autor discute sobre a predominância cada vez mais intensa da oralidade sobre a escrita, fator que influencia diretamente no estilo dos textos contemporâneos. Esses se tornam simplificados e tendem à informalidade, em comparação ao excesso de formalismos e "firulas" das composições textuais antigas.

Contudo, isso não responde à minha pergunta: apegar-se à oralidade e à informalidade resulta também em uma incapacidade de articulação na escrita? Afinal, simplicidade e falta de clareza são características um tanto quanto diferentes.

Pensando na maneira como as informações são difundidas hoje em dia, percebemos uma multimodalidade, em que predominam textos curtos, esquemas ou infográficos e imagens. Pergunto-me, então, se o estímulo ao aspecto visual por meio de figuras em detrimento de textos não estaria tornando as pessoas preguiçosas e apressadas. Preguiçosas porque não querem ler segmentos longos sem ilustrações; apressadas porque desejam apenas saber da informação-chave, normalmente contida em pequenas legendas abaixo das imagens ou em rápidas chamadas, sem se interessar pelos motivos ou contextualizações oferecidos justamente pelos textos.

Como revisora, temo ainda que tudo isso torne meu trabalho escaladamente mais penoso e difícil, ao me obrigar a reescrever cada vez mais parágrafos inteiros, em vez de apenas corrigir erros gramaticais.

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Leitura suplementar:

Escrever, escrever, escrever


Eu não sei o que me leva a escrever. Eu não sei o que leva outras pessoas a escrever. Cada um tem suas experiências, técnicas e processos. Existem livros que prometem ensinar o indivíduo a escrever, mas a verdade é que não há fórmulas precisas; há técnicas em comum, partilhadas por vários escritores, mas não há um passo-a-passo ideal.
Sempre tive facilidade com as palavras, além de uma curiosidade a respeito do processo e do motivo pelo qual diversas outras pessoas não conseguirem desenvolver sua escrita - algo que, para mim, ocorre de maneira simples.

Por meio deste blog, pretendo partilhar minhas experiências e leituras a respeito da ato de escrever e, quem sabe, ser capaz de ajudar a quem enxerga a redação como uma verdadeira batalha quase impossível de se vencer.

Alguns dos textos aqui publicados podem ser encontrados também em inglês em minha página do HubPages (quando for esse o caso, haverá uma indicação com link para a outra versão).