terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O desespero de não se conseguir escrever bem

É curioso como grande parte dos alunos é capaz de formular uma frase concisa e inteligível oralmente, mas não consegue repetir o feito quando se trata de colocar ideias no papel. Quantas vezes não lemos comentários em redes sociais que não fazem sentido algum escritos por pessoas perfeitamente capazes de se comunicar por meio da linguagem oral?

Em artigo escrito pelo doutorando Pedro Perini-Santos, o autor discute sobre a predominância cada vez mais intensa da oralidade sobre a escrita, fator que influencia diretamente no estilo dos textos contemporâneos. Esses se tornam simplificados e tendem à informalidade, em comparação ao excesso de formalismos e "firulas" das composições textuais antigas.

Contudo, isso não responde à minha pergunta: apegar-se à oralidade e à informalidade resulta também em uma incapacidade de articulação na escrita? Afinal, simplicidade e falta de clareza são características um tanto quanto diferentes.

Pensando na maneira como as informações são difundidas hoje em dia, percebemos uma multimodalidade, em que predominam textos curtos, esquemas ou infográficos e imagens. Pergunto-me, então, se o estímulo ao aspecto visual por meio de figuras em detrimento de textos não estaria tornando as pessoas preguiçosas e apressadas. Preguiçosas porque não querem ler segmentos longos sem ilustrações; apressadas porque desejam apenas saber da informação-chave, normalmente contida em pequenas legendas abaixo das imagens ou em rápidas chamadas, sem se interessar pelos motivos ou contextualizações oferecidos justamente pelos textos.

Como revisora, temo ainda que tudo isso torne meu trabalho escaladamente mais penoso e difícil, ao me obrigar a reescrever cada vez mais parágrafos inteiros, em vez de apenas corrigir erros gramaticais.

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