quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Para argumentar melhor

Desenvolver uma boa argumentação não é tarefa fácil. Para embasar um pensamento ou uma ideia é preciso lançar mão de fatos, teses, opiniões, problemas e propostas de solução, tudo bem encadeado de forma racional e lógica.
Para começar, é necessário ter uma concepção bem clara do gênero textual que você está prestes a redigir. Gêneros diferentes devem ser escritos com base em regras diferentes; um texto argumentativo, por exemplo, costuma ser breve e requer maior precisão, ao passo que um artigo acadêmico pode ser mais extenso e melhor desenvolvido em termos de detalhamento das explicações.
Contudo, há estratégias que devem ser observadas em qualquer texto que envolva a apresentação de um ponto de vista, para que ele seja bem sucedido naquilo que se propõe – convencer o leitor.
  • Tenha um propósito bem definido. Procure definir, antes de começar a desenvolver o texto: 1) Qual a questão a ser respondida? 2) Como eu planejo responde-la? 3) Qual solução posso oferecer?
  • Faça uma lista ou um esquema de suas ideias antes de começar a escrever. Assim você não correrá o risco de se esquecer de alguma parte importante do raciocínio. Um esquema também lhe ajudará a visualizar melhor seu “caminho argumentativo”.
  • Tome cuidado para não apresentar argumentos de maneira superficial. Não apresente um ponto de vista a não ser que você seja capaz de defende-lo.
  • Não faça generalizações. Tenha, para toda afirmação que você desejar apresentar no texto, uma evidência ou uma referência a fim de confirma-la, ou desenvolva um raciocínio lógico que leve a ela.
  • Evite usar adjetivos em excesso, que possam prejudicar a objetividade do seu texto. Se não for relevante para transmitir sua ideia, simplesmente elimine a palavra. Outra característica prejudicada pelo uso dos adjetivos e advérbios é a da impessoalidade – quanto menos impessoal você soar, menos efetiva será sua argumentação.
  • Dê preferência a frases curtas. Frases muito longas são uma armadilha para quem tem pressa em escrever – eventualmente você vai acabar se esquecendo de usar um verbo ou um conectivo adequado e a frase não terá mais sentido; quando você usa muitos adjetivos, isso também pode acontecer.
  • Pratique diariamente (sim, já falei isso e nunca é demais repetir)! Desde a escola aprendemos que conhecer uma fórmula não significa saber como usá-la; o mesmo acontece com o texto.
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Leituras recomendadas:


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Perca ou perda?

Por incrível que pareça, deparo-me com frequência com artigos acadêmicos em que o indivíduo usa "perca" em vez de "perda", como se "perca" fosse o substantivo. Trata-se de uma forma relativamente simples: PERDA é o substantivo formado a partir do verbo "perder".


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Escrita acadêmica vs. escrita criativa


Quando pensamos na redação acadêmica, com todas suas formalidades, não a associamos com criatividade como fazemos ao considerar narrativas, contos ou poemas. Um artigo científico deve ser objetivo e claro, não havendo muito espaço para inovações em suas páginas.

Ainda assim, é possível identificar semelhanças nos processos das escritas acadêmica e criativa relacionados à construção do texto como um todo, e teóricos e pesquisadores podem aprender muito com outros escritores e vice-versa. Independentemente do estilo ou do gênero, é importante que um texto apresente uma boa estrutura, partindo de um objetivo claro e pré-determinado.

No caso da escrita exigida pela universidade, com a qual somos obrigados a lidar quer gostemos ou não, há uma fórmula específica que pode ser seguida e oferecer um bom resultado. Além do mais, quanto mais leituras teóricas fazemos, mais acostumados ficamos ao estilo, e não há problema algum em seguir o exemplo desses textos à risca - tomando os devidos cuidados, obviamente, para não copiar o texto em si. Talvez a parte mais difícil, ou pelo menos trabalhosa, do gênero em questão seja o planejamento e o desenvolvimento de um primeiro esboço. É preciso organizar as ideias de uma forma lógica e transparente, e que, de preferência, confira certa fluidez à escrita - o que tornará a leitura mais agradável também. Você também deve tomar sempre cuidado para não escrever com uma linguagem muito repetitiva, sem variações; procure substituir as palavras que aparecem com mais frequência em seu texto por sinônimos - daí a utilidade de ter sempre um dicionário à mão. (Aliás, graças à internet, é possível recorrer a um dicionário de sinônimos online clicando aqui!)

Para que um texto, qualquer que seja, tenha efetividade, é necessário definir uma linha temática e quais os termos-chave a guiarem o processo. Em se tratando de um artigo acadêmico, você não conseguirá persuadir o leitor de seu ponto de vista a não ser que você determine com precisão o seu entendimento do tópico e o lugar de onde você "fala". Já no caso de uma história ficcional, você precisa fornecer uma imagem vívida do mundo ou da ambientação em que a narrativa irá ocorrer, para que o leitor possa compreender bem o contexto.

Outra característica crucial está na especificidade. Enquanto no artigo ou no ensaio há a necessidade de oferecer exemplos sólidos e concisos que correspondam às definições e teorias explicadas por você, na escrita criativa é importante que o desenvolvimento dos personagens esteja de acordo com suas intenções, não se desviando daquele universo composto ao longo da história. Se, por um lado, os exemplos devem estar explícitos numa escrita acadêmica, por outro lado, você pode tornar tudo mais implícito numa narrativa ficcional, que não demanda explicações.

E vale a pena lembrar: pratique! Pratique sempre! Mesmo que você só consiga escrever umas poucas frases ou em tópicos naqueles dias mais estressantes, escreva para não perder o costume - não precisa fazer um texto completo e revisado todos os dias.