terça-feira, 11 de julho de 2017

Faleceu, na segunda (10), a escritora Elvira Vigna



Elvira Vigna, um dos grandes nomes da literatura brasileira contemporânea, faleceu ontem, dia 10 de julho, aos 69 anos. A autora lutava contra um câncer de mama, diagnosticado em 2012, fato revelado apenas ontem pela família, que explicou o desejo de Vigna de não tornar o diagnóstico público porque isso faria com que deixasse de ser convidada para eventos. Ela estava internada desde fevereiro no hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Nascida em 1947, no Rio de Janeiro, formou-se em Literatura pela Universidade de Nancy, na França, e cursou o mestrado em Comunicação pela UFRJ. Começou a carreira dedicando-se à escrita e à ilustração de livros infantis. 

Publicou, em 1988, seu primeiro romance, Sete anos e um dia, pela editora José Olympio. Quase uma década depois, enviou o original de O assassinato de Bebê Martê para a editora Companhia das Letras, que decidiu apostar na escritora e lançou a obra em 1997.

Seu romance mais famoso é Nada a dizer, publicado em 2010 e vencedor do Prêmio "Ficção" da Academia Brasileira de Letras, além de finalista do Prêmio Portugual Telecom. Trata-se de uma narrativa em primeira pessoa - narrada pela mulher que foi traída -, repleta de observações sarcásticas, realizada de maneira fragmentada, características que perpassam a escrita da autora. 

Outro livro bastante conhecido de Vigna é O que deu para fazer em matéria de história de amor, lançado em 2012. Também narrado em primeira pessoa por uma mulher, aborda duas histórias de casais, um deles já morto. O romance foi finalista do Prêmio Jabuti e do Prêmio São Paulo.

Seu último romance, publicado em 2016, é Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, no qual um homem e uma mulher se encontram ao acaso no Rio de Janeiro. Enquanto ele conta à mulher sobre seus diversos encontros com prostitutas, empilhadas por seu imaginário masculino, ela vai preenchendo as lacunas narrativas. O livro recebeu o prêmio de melhor romance pela Associação Paulista de Críticos de Arte.

A narrativa fragmentária de Elvira Vigna é complexa e de difícil descrição. O estranhamento do leitor não passa depois do primeiro contato, pelo contrário, a angústia se mantém a cada página, a cada obra, e isso faz com que ela seja um exemplo da literatura contemporânea de suma importância. O humor e uma ironia que passam pela autodepreciação, movimento recorrente por parte de suas narradoras, reproduzem os tempos atuais com perspicácia.

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